Avaliação: Interpretação de Texto Dissertativo-Argumentativo com Gabarito Comentado
Atividade de Português: Interpretação de Texto Dissertativo-Argumentativo (Redação Nota 1000 ENEM) com Gabarito Comentado – Ensino Médio
AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO
NOME: _________________________________________________ DATA: //___
ASSUNTO: Estrutura Dissertativa e Interpretação de Texto (Redação Nota 1000).
TEXTO DE APOIO
No filme estadunidense “Joker”, estrelado por Joaquim Phoenix, é retratado a vida de Arthur Fleck, um homem que, em virtude de sua doença mental, é esquecido e discriminado pela sociedade, acarretando, inclusive, piora no seu quadro clínico. Assim como na obra cinematográfica abordada, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, devido a conceitos preconceituosos perpetuados ao longo da história humana, há um estigma relacionado aos transtornos mentais, uma vez que os indivíduos que sofrem dessas condições são marginalizados. Ademais, é preciso salientar, ainda, que a sociedade atual carece de informações a respeito de tal assunto, o que gera um estranhamento em torno da questão.
Em primeiro lugar, faz-se necessário mencionar o período da Idade Média, na Europa, em que os doentes mentais eram vistos como seres fruto de um castigo, já que, naquela época, não havia estudos acerca dessa temática e, consequentemente, ideias absurdas eram disseminadas como verdades. É perceptível, então, que existe uma raiz histórica para o estigma atual vivenciado por pessoas que têm transtornos mentais, ocasionando um intenso preconceito e exclusão. Outrossim, não se pode esquecer de que, graças aos fatos supracitados, tais indivíduos recebem rótulos mentirosos, como, por exemplo, o estereótipo de que todos que possuem problemas psicológicos são incapazes de manter relacionamentos saudáveis, ou seja, não conseguem interagir com outros seres humanos de forma plena. Fica claro, pois, que as doenças mentais são tratadas de forma equivocada, ferindo a dignidade de toda a população.
Em segundo lugar, ressalta-se que há, no Brasil, uma evidente falta de informações sobre os transtornos mentais, fomentando grande preconceito e estranhamento com essas doenças. Nesse sentido, é lícito referenciar o filósofo grego Platão, que, em sua obra “A República”, narrou o intitulado “Mito da Caverna”, no qual homens, acorrentados em uma caverna, viam somente sombras na parede, acreditando, portanto, que aquilo era a realidade das coisas. Dessa forma, é notório que, em situação análoga à metáfora abordada, os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca dos transtornos mentais, vivem na escuridão, isto é, ignorância, disseminando atitudes preconceituosas. Logo, é evidente a grande importância das informações, haja vista que a falta delas aumenta o estigma relacionado às doenças mentais, prejudicando a qualidade de vida das pessoas que sofrem com tais transtornos.
Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe à escola, forte ferramenta de formação de opinião, realizar rodas de conversas com os alunos sobre a problemática do preconceito com os transtornos mentais, além de trazer informações científicas sobre tal questão. Essa ação pode se concretizar por meio da atuação de psiquiatras e professores de sociologia, estes irão desconstruir a visão discriminatória dos estudantes, enquanto que aqueles irão mostrar dados/informações relevantes sobre as doenças psiquiátricas. Espera-se com essa medida, que o estigma associado às doenças mentais seja paulatinamente erradicado.
QUESTÕES OBJETIVAS
1. No parágrafo introdutório, a autora utiliza a referência ao filme “Joker” para:
A) Demonstrar que o cinema estadunidense é superior ao brasileiro na abordagem de temas sociais.
B) Apresentar um repertório sociocultural que ilustra a marginalização do doente mental antes de associá-lo ao Brasil.
C) Provar que a doença mental de Arthur Fleck foi causada exclusivamente pela negligência do Estado.
D) Validar a ideia de que o comportamento violento é uma consequência inevitável de transtornos mentais.
E) Sugerir que a solução para o estigma social brasileiro reside no investimento em obras cinematográficas.
2. A tese central defendida pela autora ao longo de todo o texto é a de que:
A) A Idade Média foi o período mais obscuro da história humana no que diz respeito à saúde.
B) O cinema e a filosofia são as únicas formas de compreender a mente humana na atualidade.
C) O estigma contra doenças mentais no Brasil é fruto de raízes históricas e da profunda falta de informação.
D) Os psiquiatras devem substituir os professores de sociologia no debate sobre preconceitos nas escolas.
E) A dignidade humana só será recuperada quando todos os brasileiros lerem a obra de Platão.
3. No segundo parágrafo, a menção à Idade Média cumpre a função argumentativa de:
A) Comparar a tecnologia médica daquela época com a do Brasil contemporâneo.
B) Justificar a violência física contra doentes mentais como uma herança cultural imutável.
C) Identificar a origem histórica de pensamentos equivocados que associavam a doença a um castigo ou à falta de razão.
D) Isentar a sociedade atual de culpa, já que o preconceito é um fato histórico antigo.
E) Relatar como a ausência de psiquiatras na Europa medieval causou a extinção de tratamentos eficazes.
4. A autora utiliza o termo “Outrossim” (2º parágrafo). Esse recurso coesivo tem o objetivo de:
A) Introduzir uma ideia que contradiz o que foi dito anteriormente sobre a Idade Média.
B) Finalizar o parágrafo apresentando uma solução imediata para o problema dos estereótipos.
C) Acrescentar uma nova informação ou argumento que reforça a discussão sobre o preconceito.
D) Explicar a razão científica pela qual indivíduos com transtornos mentais recebem rótulos.
E) Estabelecer uma condição para que a exclusão social deixe de existir no cenário brasileiro.
5. Ao relacionar o “Mito da Caverna” de Platão à realidade brasileira, a autora argumenta que:
A) Os brasileiros são prisioneiros que se recusam a sair da zona de conforto de seus preconceitos.
B) A falta de conhecimento científico sobre saúde mental coloca a população em uma “escuridão” intelectual. C) A realidade das doenças mentais é apenas uma sombra projetada por mentes criativas.
D) A filosofia é ineficaz para explicar problemas modernos como a estigmatização de doentes.
E) Somente os filósofos estão aptos a tratar as doenças mentais na sociedade contemporânea.
6. Analise o uso do conectivo “Destarte” no início do último parágrafo. Ele poderia ser substituído, sem perda de sentido, por:
A) Entretanto.
B) Conquanto.
C) Portanto.
D) Todavia.
E) Porquanto.
7. Na proposta de intervenção, a autora define o “MEIO/MODO” (como fazer) da ação através de:
A) Palestras obrigatórias ministradas exclusivamente pela diretoria das escolas estaduais.
B) Campanhas publicitárias na televisão com atores que interpretaram personagens doentes.
C) Atuação conjunta de psiquiatras e professores de sociologia em rodas de conversa.
D) Distribuição de panfletos informativos escritos por estudantes do ensino médio.
E) Criação de uma disciplina específica sobre o Mito da Caverna na grade curricular nacional.
8. No segundo parágrafo, a autora afirma que pessoas com transtornos recebem “rótulos mentirosos”. O exemplo utilizado para ilustrar esse argumento é:
A) A ideia de que doentes mentais são frutos de um castigo.
B) O estereótipo de que são incapazes de manter relacionamentos saudáveis.
C) A crença de que todos os transtornos mentais são incuráveis.
D) A visão de que a psiquiatria não é uma ciência verdadeira.
E) O fato de serem comparados a prisioneiros de uma caverna.
9. O objetivo final (finalidade) esperado pela autora com a implementação de sua proposta de intervenção é:
A) Aumentar o número de consultas psiquiátricas no ambiente escolar brasileiro.
B) Garantir que todos os alunos assistam ao filme Joker para entenderem a marginalização.
C) Erradicar de forma gradual o estigma associado às doenças mentais na sociedade.
D) Tornar o ensino de sociologia mais importante que o ensino de biologia nas escolas.
E) Punir severamente os cidadãos que disseminam rótulos mentirosos sobre a saúde mental.
O gabarito comentado completo segue ao final, em uma página separada, para sua conferência.
ORIENTAÇÃO PARA OS ALUNOS (DISTRATORES)
Para ajudar no processo de inclusão e compreensão, você pode explicar os distratores da seguinte forma:
- Distrator Forte: É aquela alternativa que “quase” está certa porque usa palavras que estão no texto, mas as associa de forma errada (ex: trocar o tempo histórico ou trocar o agente).
- Distrator Médio: É uma alternativa que fala algo que faz sentido na vida real, mas que não está escrito no texto. No ENEM, não importa o que achamos, mas sim o que a autora escreveu.
GABARITO COMENTADO (PARA O PROFESSOR)
1. B
- Explicação: O filme serve como estratégia de introdução.
- Distr. Forte (D): O texto foca no estigma, não na violência inevitável.
- Distr. Médio (A): Extrapolação (não há comparação de qualidade cinematográfica).
2. C
- Explicação: Tese central: o problema atual vem da história e da ignorância informativa.
- Distr. Forte (E): Ler Platão é um meio de reflexão, não a finalidade da tese.
- Distr. Médio (A): Reducionismo (foca apenas no passado).
3. C
- Explicação: Função de contextualização histórica da desinformação.
- Distr. Forte (D): Interpretação oposta à intenção da autora.
- Distr. Médio (B): O texto foca no preconceito, não em “justificar” violência.
4. C
- Explicação: “Outrossim” soma um argumento novo à discussão.
- Distr. Forte (A): Erro gramatical (confunde adição com adversidade).
- Distr. Médio (E): Confunde adição com condicionalidade.
5. B
- Explicação: Sombras = falta de informação; Luz = conhecimento científico.
- Distr. Forte (A): O texto aponta a “carência” de dados, não uma “escolha” por ser ignorante.
- Distr. Médio (C): Interpretação literal demais da metáfora.
6. C
- Explicação: Conclusivo clássico.
- Distr. Forte (E): “Porquanto” é explicativo/causal. Erro comum de sonoridade.
- Distr. Médio (A): “Entretanto” é oposição.
7. C
- Explicação: Identificação direta do detalhamento da proposta de intervenção.
- Distr. Forte (D): Troca os agentes técnicos por estudantes.
- Distr. Médio (B): Sugere uma ação que não está escrita no texto base.
8. B
- Explicação: Identificação de exemplo específico no texto.
- Distr. Forte (A): A ideia de castigo foi citada como exemplo do pensamento da Idade Média, não como o “rótulo mentiroso” atual citado logo após.
- Distr. Médio (E): Mistura informações de parágrafos diferentes.
9. C
- Explicação: É o efeito social esperado (Competência 5).
- Distr. Forte (A): Confunde o resultado social com o procedimento clínico.
- Distr. Médio (E): O texto propõe educação, não punição legal.
baixo, apresento o Gabarito Comentado com Evidências Textuais, correlacionando cada resposta ao trecho exato do texto da Adrielly Clara Enriques. Isso ajuda o aluno a desenvolver a habilidade de localização e a entender que a interpretação de texto deve ser sempre fundamentada na base textual.
GABARITO COMENTADO COM EVIDÊNCIAS TEXTUAIS
1. Resposta: B
- Comentário: A autora usa o filme para criar uma ponte com o Brasil.
- Evidência no texto: “No filme estadunidense ‘Joker’ […] é retratado a vida de Arthur Fleck […]. Assim como na obra cinematográfica abordada, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea […] há um estigma relacionado aos transtornos mentais…”
2. Resposta: C
- Comentário: A tese apresenta as duas causas que serão desenvolvidas: história e falta de informação.
- Evidência no texto: “…devido a conceitos preconceituosos perpetuados ao longo da história humana, há um estigma relacionado aos transtornos mentais […] Ademais […] a sociedade atual carece de informações…” (Final do 1º parágrafo).
3. Resposta: C
- Comentário: O uso da Idade Média serve para provar que o preconceito tem raízes profundas e antigas.
- Evidência no texto: “É perceptível, então, que existe uma raiz histórica para o estigma atual vivenciado por pessoas que têm transtornos mentais…” (Meio do 2º parágrafo).
4. Resposta: C
- Comentário: “Outrossim” é um conectivo de adição que soma o problema dos rótulos à exclusão histórica já mencionada.
- Evidência no texto: “…ocasionando um intenso preconceito e exclusão. Outrossim, não se pode esquecer de que […] tais indivíduos recebem rótulos mentirosos…” (Final do 2º parágrafo).
5. Resposta: B
- Comentário: A analogia associa “escuridão” à “ignorância” (falta de conhecimento).
- Evidência no texto: “Dessa forma, é notório que […] os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca dos transtornos mentais, vivem na escuridão, isto é, ignorância…” (Meio do 3º parágrafo).
6. Resposta: C
- Comentário: “Destarte” inicia a conclusão, indicando que, após analisar os problemas, uma solução será apresentada.
- Evidência no texto: “Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos.” (Início do 4º parágrafo).
7. Resposta: C
- Comentário: O “meio” é o instrumento prático utilizado para realizar a ação.
- Evidência no texto: “Essa ação pode se concretizar por meio da atuação de psiquiatras e professores de sociologia…” (Final do 4º parágrafo).
8. Resposta: B
- Comentário: A autora exemplifica o preconceito moderno com a suposta incapacidade de relacionamento.
- Evidência no texto: “…como, por exemplo, o estereótipo de que todos que possuem problemas psicológicos são incapazes de manter relacionamentos saudáveis…” (Final do 2º parágrafo).
9. Resposta: C
- Comentário: A finalidade da proposta de intervenção (Competência 5) é apresentada no encerramento do texto.
- Evidência no texto: “Espera-se com essa medida, que o estigma associado às doenças mentais seja paulatinamente erradicado.” (Última frase do texto).
GABARITO PARA O PROFESSOR (ANÁLISE TÉCNICA)
Este quadro ajuda o professor a identificar o raciocínio do aluno ao marcar uma alternativa errada.
| Questão | Resposta | Nível de Distrator Forte (Confunde o aluno) | Nível de Distrator Médio (Erro de interpretação) |
| 1 | B | D: Leva a uma interpretação errada do enredo do filme. | A: Cria uma competição inexistente entre países. |
| 2 | C | E: Generaliza a solução apenas pelo viés da filosofia. | A: Foca apenas no detalhe da Idade Média. |
| 3 | C | D: Atribui uma interpretação falsa de “isenção de culpa”. | B: Extrapola o texto citando violência física. |
| 4 | C | A: Confunde adição com conectivo de oposição. | E: Confunde adição com conectivo condicional. |
| 5 | B | A: Atribui um julgamento moral não presente no texto. | C: Faz uma leitura literal (não metafórica) da caverna. |
| 6 | C | E: Confunde conclusão com causa (Porquanto). | A: Confunde conclusão com oposição (Entretanto). |
| 7 | C | D: Troca os profissionais especialistas por estudantes. | A: Troca o método e os agentes responsáveis. |
| 8 | B | A: Confunde o exemplo histórico (castigo) com o atual. | E: Confunde a localização das informações no texto. |
| 9 | C | A: Confunde a ação técnica com o resultado social amplo. | E: Sugere punição legal, o que o texto não propõe. |
GABARITO COMENTADO COM EVIDÊNCIAS
1. B – Evidência: “Assim como na obra cinematográfica abordada, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea…” (A autora usa o filme para introduzir a realidade local).
2. C – Evidência: “…devido a conceitos preconceituosos perpetuados ao longo da história humana… a sociedade atual carece de informações…” (Estas são as duas causas que sustentam o texto).
3. C – Evidência: “É perceptível, então, que existe uma raiz histórica para o estigma atual…” (A Idade Média é citada para mostrar a origem do erro).
4. C – Evidência: “Outrossim, não se pode esquecer de que… tais indivíduos recebem rótulos mentirosos…” (O termo soma o argumento dos rótulos ao argumento anterior da exclusão).
5. B – Evidência: “…os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca dos transtornos mentais, vivem na escuridão, isto é, ignorância…” (Associa diretamente a caverna à falta de informação).
6. C – Evidência: “Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos.” (O termo encerra a discussão e abre a proposta de solução).
7. C – Evidência: “Essa ação pode se concretizar por meio da atuação de psiquiatras e professores de sociologia…” (Define o modo de execução da proposta).
8. B – Evidência: “…estereótipo de que todos que possuem problemas psicológicos são incapazes de manter relacionamentos saudáveis…” (Exemplo direto do rótulo mentiroso atual).
9. C – Evidência: “Espera-se com essa medida, que o estigma associado às doenças mentais seja paulatinamente erradicado.” (Finalidade social da intervenção).
