ENEM 2025: Análise do tema proposto: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”

Longevidade no Brasil: Entre a Conquista Demográfica e o Desafio Social

O Brasil vive uma profunda e acelerada transformação demográfica: o número de pessoas com mais de 60 anos cresce exponencialmente, reescrevendo a forma da nossa pirâmide etária. Se, por um lado, o aumento da longevidade é uma grande vitória da medicina e das políticas de saúde, por outro, ele expõe a urgência de reavaliarmos as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira. Atualmente, a velhice é frequentemente marcada pela exclusão social—manifestada no etarismo e na desvalorização do capital de experiência—e pela fragilidade das estruturas de apoio do Estado, como saúde e seguridade social. É fundamental, portanto, que a sociedade e o poder público se mobilizem para que a longevidade seja sinônimo de dignidade, participação ativa e qualidade de vida, e não um fardo.

🧐 Interpretação do Tema: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”

O tema pede uma discussão aprofundada sobre as diferentes visões (positivas, negativas e desafiadoras) em relação à crescente população idosa no Brasil. O foco não é apenas o fato do envelhecimento, mas as “perspectivas” (os pontos de vista, as projeções, os desafios e as oportunidades) que essa mudança demográfica gera “na sociedade brasileira” (recorte geográfico e social obrigatório).

  • Envelhecimento na sociedade brasileira: Trata do aumento da expectativa de vida e da proporção de idosos no país, um fenômeno demográfico com impactos sociais, econômicos e culturais.
  • Perspectivas acerca do: Exige que você aborde o tema sob diferentes ângulos. Você deve problematizar a situação, explorando:
    • Desafios: Questões como o etarismo (preconceito de idade), a seguridade social/previdência, o sistema de saúde (necessidade de cuidados especializados), a solidão/abandono e a exclusão digital.
    • Oportunidades: O potencial da Economia Prateada (consumo e mercado de trabalho), a contribuição dos idosos com experiência e conhecimento (capital social) e a busca por uma longevidade com qualidade de vida (envelhecimento ativo).
  • Fuga ao tema ocorre se você falar apenas sobre envelhecimento em geral ou sobre envelhecimento em outros países, sem focar nas perspectivas e no Brasil.

📝 O que Escrever: Estrutura Dissertativo-Argumentativa

Sua redação deve ter um mínimo de 8 linhas e no máximo 30, e seguir a estrutura canônica:

1. 💡 Introdução (1 parágrafo)

  • Contextualização/Repertório: Inicie com uma referência de uma área do conhecimento (história, filosofia, sociologia, arte, dados estatísticos do IBGE, etc.) que se relacione com o envelhecimento populacional.
  • Apresentação do Tema: Cite a frase temática, mostrando que a compreendeu.
  • Tese (Seu Ponto de Vista): Apresente o seu posicionamento (geralmente, um problema a ser resolvido) e antecipe os dois principais argumentos que serão desenvolvidos.Exemplo de tese: O envelhecimento da população brasileira, embora seja uma conquista, é marcado por perspectivas negativas devido à persistência do etarismo e à fragilidade da seguridade social.

2. 🗣️ Desenvolvimento (2 parágrafos – D1 e D2)

  • Cada parágrafo deve desenvolver um dos argumentos apresentados na tese.
  • D1: Desenvolva o primeiro argumento (ex: o etarismo).
    • Tópico Frasal: Apresente a ideia principal do parágrafo.
    • Argumentação e Repertório: Fundamente o argumento com um novo repertório sociocultural (citação, dado, lei, conceito).
    • Análise Crítica: Explique a relação de causa e consequência do problema na sociedade brasileira.
  • D2: Desenvolva o segundo argumento (ex: fragilidade da seguridade social).
    • Tópico Frasal: Use um conectivo interparagrafal para ligar D1 a D2 (ex: Além disso, Outrossim, Em complemento).
    • Argumentação e Repertório: Fundamente a ideia com outro repertório e a aprofunde.
    • Análise Crítica: Conclua a linha de raciocínio.

3. ✍️ Conclusão (1 parágrafo)

  • Conectivo Conclusivo: Comece com um conectivo de conclusão (Portanto, Dessarte, Em síntese).
  • Retomada da Tese: Reafirme seu ponto de vista.
  • Proposta de Intervenção (Ação Social Completa): É a solução para o problema discutido, a parte mais importante. Ela deve responder a cinco perguntas essenciais (5 W’s):
    1. O que fazer? (Ação): Qual medida será proposta?
    2. Quem faz? (Agente): Quem será o responsável por executar a ação? (Governo, Mídia, Escola, Família, Sociedade Civil).
    3. Como? (Meio/Modo): De que forma a ação será implementada?
    4. Para quê? (Finalidade/Efeito): Qual o objetivo final da ação?
    5. Detalhamento: Acrescente uma informação a mais a qualquer um dos itens anteriores para torná-lo mais específico.

🎯 Critérios de Correção (As 5 Competências)

Sua nota (0 a 1000) é a soma das notas (0 a 200) atribuídas em cinco competências:

🌟 Competência 1: Domínio da Norma Padrão

Escreva na modalidade escrita formal da língua portuguesa.

  • O que avaliar: Gramática (concordância, regência, pontuação, crase), ortografia e a estrutura sintática (períodos completos, claros e bem construídos).

🌟 Competência 2: Compreensão do Tema e Tipo Textual

  • O que avaliar: Abordagem completa do tema (“Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”), uso de repertório sociocultural produtivo (informações de outras áreas do conhecimento, ligadas de forma inteligente ao argumento) e adequação total à estrutura dissertativo-argumentativa.

🌟 Competência 3: Seleção e Organização das Ideias

  • O que avaliar: Consistência e originalidade na defesa do seu ponto de vista (tese). As informações e os fatos devem ser selecionados, relacionados e organizados de forma lógica para sustentar a argumentação.

🌟 Competência 4: Coesão e Coerência

  • O que avaliar: Uso de mecanismos linguísticos (conectivos, pronomes, sinônimos) para ligar as ideias dentro dos parágrafos (coesão intraparagrafal) e entre os parágrafos (coesão interparagrafal), garantindo o fluxo lógico do texto (coerência).

🌟 Competência 5: Proposta de Intervenção

  • O que avaliar: Elaboração de uma proposta completa (com os 5 elementos), detalhada, coerente com a argumentação desenvolvida e que respeite os Direitos Humanos.

Focar em argumentos sólidos é o caminho para uma boa Competência 3 (Argumentação) e Competência 2 (Repertório).

Para o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, podemos desenvolver dois eixos principais de análise que se encaixam bem no modelo de causa/consequência do ENEM:


🎯 Eixo 1: O Desafio Estrutural e o Etarismo (Foco na Exclusão Social)

Este eixo explora como a sociedade, muitas vezes, tem uma visão negativa ou capacitista sobre a velhice, resultando em exclusão.

Pontos a serem explorados:

  1. Etarismo/Idadismo: O preconceito estrutural contra pessoas mais velhas. Isso se manifesta na dificuldade de inserção no mercado de trabalho, na invisibilidade social e na crença de que o idoso é um “peso” para a economia.
  2. Saúde e Assistência: A perspectiva de que o aumento da população idosa sobrecarregará o sistema público de saúde (SUS) com doenças crônicas, sem que haja investimento adequado em geriatria e gerontologia.
  3. Solidão e Abandono: O enfraquecimento dos laços familiares e sociais, levando ao isolamento, mesmo em um contexto de longevidade.

Sugestões de Repertório (Competência 2):

  • Conceito: Etarismo (preconceito por idade).
  • Filosofia/Sociologia: Mencionar a visão de Simone de Beauvoir sobre o envelhecimento ser visto como um “destino imposto” (embora ela critique mais a condição feminina, a ideia de destino/restrição se aplica à velhice). Ou, de forma mais direta, o conceito de gerontocracia (governo dos mais velhos) em contraste com a exclusão dos idosos ativos hoje.
  • Legislação: Mencionar o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) e questionar sua efetividade na prática contra o preconceito.

🎯 Eixo 2: A Perspectiva da Longevidade como Potencial e Inclusão

Este eixo foca nas perspectivas positivas ou no que precisa ser feito para transformar o envelhecimento em um ativo social.

Pontos a serem explorados:

  1. Capital Humano e Experiência: O idoso como detentor de conhecimento técnico e sabedoria acumulada, capaz de contribuir para o mercado de trabalho (envelhecimento ativo) e para a transmissão de valores.
  2. Economia Prateada: O poder de consumo dessa faixa etária crescente (turismo, tecnologia assistiva, serviços financeiros).
  3. Revisão de Políticas Públicas: A necessidade de uma visão de futuro que vá além da previdência, focando em moradia adaptada, transporte acessível e inclusão digital para garantir dignidade.

Sugestões de Repertório (Competência 2):

  • Dados: Mencionar dados do IBGE sobre o aumento da proporção de idosos e a necessidade de adequação da infraestrutura brasileira (que ainda é jovem).
  • Conceito: Envelhecimento Ativo (conceito da Organização Mundial da Saúde – OMS), que foca na participação social, saúde e segurança dos idosos.
  • Referência Histórica/Social: Citar o papel dos idosos no Brasil em períodos de transição ou em atividades de cuidado com a família (trabalho não remunerado).

🗺️ Rascunho da Estrutura Ideal

Parte do TextoFoco Principal SugeridoArgumento/Foco
IntroduçãoApresentar a dualidade: conquista demográfica vs. desafios sociais.Tese: O Brasil precisa urgentemente mudar sua perspectiva sobre a velhice, pois o etarismo institucionalizado e a precariedade da seguridade social impedem a plena cidadania dessa parcela populacional.
Desenvolvimento 1 (D1)Focar no Etarismo/Exclusão (Perspectiva Negativa).Utilizar o conceito de Etarismo e criticar como ele marginaliza a pessoa idosa.
Desenvolvimento 2 (D2)Focar na Seguridade Social/Saúde (Desafio Estrutural).Utilizar dados sobre a pressão no SUS e a insuficiência da Previdência, mostrando a falta de planejamento estatal.
ConclusãoProposta de Intervenção que vise a inclusão e o combate ao preconceito.Ação: Criar campanhas midiáticas (Mídia/Governo) para combater o Etarismo e, simultaneamente, detalhar a necessidade de investimento em programas de capacitação profissional para idosos (Educação/Ministério do Trabalho).

Com essa base, você tem argumentos claros, pode selecionar repertórios pertinentes e estruturar sua proposta de intervenção de forma completa, atacando os principais pontos de avaliação do ENEM.

Para um tema como “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, um texto nota 1000 deve combinar um repertório sociocultural de áreas diversas, coesão impecável e uma proposta de intervenção detalhada.

Abaixo, apresento um modelo de texto completo, seguindo a estrutura dissertativo-argumentativa e utilizando os eixos que discutimos: o etarismo (exclusão social) e a fragilidade da seguridade social (desafio estrutural).


✍️ Modelo de Redação Nota 1000: Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira

Introdução (Linhas 1 a 6)

No livro “Brasil, País do Futuro”, o escritor austríaco Stefan Zweig manifestou um otimismo desmedido em relação ao potencial da nação. No entanto, o prognóstico de um futuro promissor é, ironicamente, desafiado pelo presente. Embora o aumento da longevidade seja uma conquista social e biológica inegável, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira revelam-se preocupantes. Tal cenário persiste devido a dois fatores principais: a persistência do etarismo (preconceito por idade) e a precariedade estrutural do sistema de seguridade social, que juntos impedem a plena cidadania dessa parcela populacional.


Desenvolvimento 1: O Etarismo e a Exclusão Social (Linhas 7 a 13)

Em primeira análise, a manutenção de um olhar discriminatório sobre a velhice contribui para a invisibilidade dos indivíduos mais velhos. Conforme a filósofa francesa Simone de Beauvoir destacou em sua obra “A Velhice”, a sociedade industrial tende a marginalizar aqueles que não se enquadram no perfil de produtividade econômica. Nessa lógica, o Brasil, ao exacerbar a cultura do hiperconsumismo e da eterna juventude, associa a idade avançada à incapacidade e à obsolescência. Como consequência, observam-se manifestações de etarismo que vão desde a dificuldade de reinserção do idoso no mercado de trabalho até a infantilização desse grupo pela mídia e no ambiente familiar, configurando uma violência simbólica que mina a autoestima e a participação ativa dos cidadãos na esfera pública.


Desenvolvimento 2: A Crise Estrutural e a Fragilidade da Seguridade Social (Linhas 14 a 22)

Ademais, a fragilidade do planejamento estatal compromete as perspectivas futuras da população idosa. O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) assegura direitos, mas sua aplicação é dificultada pela ausência de investimentos adequados nas áreas de saúde e previdência social. Os dados do IBGE demonstram uma rápida inversão da pirâmide etária, indicando que o país terá mais idosos do que jovens em poucas décadas. Contudo, o Sistema Único de Saúde (SUS) não possui infraestrutura e corpo clínico (geriatras e gerontólogos) suficientes para atender à demanda crescente de cuidados especializados. Desse modo, o Estado não apenas falha em garantir o amparo material, mas também negligencia a promoção de um envelhecimento ativo e saudável, condenando muitos à dependência e à perda de qualidade de vida.


Conclusão: Proposta de Intervenção (Linhas 23 a 30)

Portanto, diante da necessidade de transformar as perspectivas sobre o envelhecimento no Brasil, é imperativo que o preconceito seja combatido e as estruturas sociais, reforçadas. Para isso, o Ministério da Cidadania, em parceria com a Mídia, deve lançar uma campanha nacional de conscientização de longo prazo. Essa campanha deve ser veiculada em multiplataformas, utilizando peças publicitárias que destaquem a diversidade da velhice e o capital de experiência do idoso, com o fito de desconstruir estereótipos etaristas e promover a integração intergeracional. Adicionalmente, o Ministério da Saúde deve detalhar a criação de um Programa Nacional de Capacitação em Geriatria e Gerontologia para o SUS, visando garantir que o aumento da longevidade seja acompanhado pela excelência no cuidado à saúde. Somente com a união de políticas de inclusão e infraestrutura o Brasil poderá, de fato, cumprir seu potencial e honrar a dignidade de seus cidadãos em todas as fases da vida.


Análise Competência por Competência (Nota 1000)

  • C1 (Norma Padrão): Domínio excelente, com vocabulário preciso e sintaxe complexa, mas clara (ex: “prognóstico”, “exacerbar a cultura”, “violência simbólica”).
  • C2 (Tema e Repertório): Abordagem completa do tema (“Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”), usando repertórios de áreas diferentes (Literatura – Zweig; Filosofia – Beauvoir; Legislação/Dados – Estatuto do Idoso/IBGE), produtivos e articulados à argumentação.
  • C3 (Argumentação): Defesa de tese clara e consistente, organizada em dois eixos lógicos (etarismo e precariedade estrutural), com bom nível de autoria.
  • C4 (Coesão e Coerência): Uso variado e preciso de conectivos intra e interparagrafais (ex: Em primeira análise, Nessa lógica, Como consequência, Ademais, Contudo, Desse modo, Portanto).
  • C5 (Intervenção): Proposta completa com 5 elementos (Ação: Campanha; Agente: Ministério da Cidadania/Mídia; Meio: Mídias, destacando a diversidade; Finalidade: Desconstruir estereótipos; Detalhamento: Inclusão de um Programa de Capacitação em Saúde) e respeito aos Direitos Humanos.

O filme da Disney/Pixar, “Viva – A Vida é uma Festa” (originalmente Coco), é um repertório sociocultural riquíssimo para o tema, pois ele aborda diretamente a memória, a ancestralidade e a importância dos laços intergeracionais, elementos cruciais para a discussão sobre as perspectivas do envelhecimento.

Vamos integrar essa referência ao parágrafo de desenvolvimento (D1), substituindo a citação de Simone de Beauvoir, mas mantendo o foco na exclusão/valorização do idoso.


📝 Modelo de Desenvolvimento 1 (Com o filme “Viva – A Vida é uma Festa”)

Tema: Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira

Em primeira análise, a negligência com o capital de experiência e a sabedoria acumulada pelos idosos acentua o problema do etarismo. Tal marginalização contrasta com a representação cultural de valorização da memória, exemplificada na animação “Viva – A Vida é uma Festa”. No filme, a existência no “Mundo dos Mortos” depende unicamente da lembrança e do reconhecimento dos antepassados pelos vivos. Contudo, na realidade brasileira, essa conexão intergeracional é frequentemente rompida. A sociedade pautada pela lógica do hiperconsumo e pela exaltação da juventude afasta o indivíduo idoso dos centros de decisão e produção, vendo-o como um elemento obsoleto. Nessa perspectiva, o esquecimento na animação, que leva à “morte final”, encontra um paralelo na exclusão social e profissional, que impõe ao idoso o destino de ser invisível, restringindo suas perspectivas de participação ativa e digna.


Análise da Integração:

  • Repertório Produtivo: O filme é citado e usado como um contraponto crítico. A ideia da “morte final” por esquecimento no filme é comparada à “morte social” por exclusão na realidade brasileira.
  • Conexão com o Tema: O foco na memória e no reconhecimento familiar do filme se liga perfeitamente ao conceito de perspectivas e valorização do idoso.
  • Coerência: O parágrafo mantém a linha argumentativa de que o problema reside na desvalorização social (etarismo).

Com a Introdução e o Desenvolvimento 1 (abordando o etarismo com o filme Viva – A Vida é uma Festa) prontos, seguiremos com o Desenvolvimento 2 e a Conclusão completa (Proposta de Intervenção).


🏗️ Desenvolvimento 2: A Crise Estrutural e a Fragilidade da Seguridade Social

Este parágrafo foca no desafio estrutural do Estado em lidar com o aumento da longevidade.

Ademais, as perspectivas de um envelhecimento digno no Brasil são fragilizadas pela insuficiência do planejamento estatal. O crescimento acelerado da população idosa, conforme dados do IBGE, demonstra uma rápida inversão da pirâmide etária, indicando que o país precisará de vastos recursos para a seguridade social e saúde nas próximas décadas. Entretanto, esse fenômeno demográfico não foi acompanhado pelo investimento adequado. O Sistema Único de Saúde (SUS) carece de infraestrutura especializada, como leitos adaptados e profissionais em geriatria e gerontologia, enquanto o sistema previdenciário atua sob constante ameaça de desmonte e déficit, resultando em benefícios achatados. Dessa forma, o Estado não apenas negligencia a aplicação efetiva do Estatuto da Pessoa Idosa, mas também falha em promover o Envelhecimento Ativo (conceito da OMS), condenando muitos cidadãos, que têm sua vida prolongada pela ciência, à dependência e à precariedade material.


💡 Conclusão: Proposta de Intervenção Detalhada

A Proposta de Intervenção (Competência 5) deve ser completa e atacar os dois problemas apresentados (etarismo e falha estrutural).

Portanto, diante da necessidade de transformar as perspectivas sobre o envelhecimento no Brasil, é imperativo que o preconceito seja combatido e as estruturas sociais, reforçadas. Para isso, o Ministério da Cidadania, em parceria com a Mídia, deve lançar uma campanha nacional de conscientização de longo prazo. Essa campanha deve ser veiculada em multiplataformas (TV, redes sociais e espaços públicos), utilizando peças publicitárias que destaquem a diversidade da velhice e o capital de experiência do idoso, com o fito de desconstruir estereótipos etaristas e promover a integração intergeracional, valorizando o legado como no filme Viva. Adicionalmente, o Ministério da Saúde deve detalhar a criação de um Programa Nacional de Capacitação em Geriatria e Gerontologia para o SUS, oferecendo incentivos e bolsas para a formação de profissionais especializados, a fim de garantir que o aumento da longevidade seja acompanhado pela excelência e dignidade no cuidado à saúde. Somente com a união de políticas de inclusão e infraestrutura o Brasil poderá, de fato, honrar a dignidade de seus cidadãos em todas as fases da vida.


✅ Resumo do Corpo do Texto (Estrutura Nota 1000)

  1. Introdução: Contextualização (Stefan Zweig), Tese clara (Etarismo e Falha Estrutural).
  2. Desenvolvimento 1: Foco no Etarismo e na Exclusão Social, usando a crítica do filme Viva – A Vida é uma Festa (morte por esquecimento).
  3. Desenvolvimento 2: Foco na Falha Estrutural (IBGE e SUS), criticando a ausência de planejamento para o Envelhecimento Ativo.
  4. Conclusão: Proposta de Intervenção completa (Campanha de Conscientização + Programa de Saúde Especializada), atrelada ao repertório (filme Viva) e aos temas discutidos.

O texto está coeso e atende a todos os critérios de correção exigidos pelo ENEM.

O envelhecimento populacional é uma realidade incontornável e positiva, mas exige uma mudança radical de mentalidade e estrutura. Como discutido, a superação do etarismo e a reforma de nossas políticas públicas são as chaves para que a longevidade se converta em um ativo, e não em um problema social. É necessário investir em infraestrutura de saúde geriátrica e garantir a inclusão digital e profissional do idoso, reconhecendo seu valor e experiência. O futuro do Brasil depende de como tratamos o nosso passado e o presente de milhões de cidadãos. Portanto, o desafio está lançado: garantir que as perspectivas do envelhecimento em nosso país sejam de respeito, oportunidade e plena cidadania para todas as idades.