Simulado ENEM/SAEB: Gabarito Comentado sobre Variação Linguística e Descritores

Desvendando o Português: Por Que Nossa Língua Está Sempre em Movimento?

Seja você um falante que diz “bolacha” ou “biscoito”, que toma um “tranco” ou leva um “susto”, ou que se orgulha do seu “sotaque”, saiba que você é um agente ativo da Variação Linguística!

Nossa língua, o Português, não é um bloco de concreto parado no tempo, mas sim um rio em constante fluxo. Ela muda de acordo com a região, o grupo social, a idade e até mesmo a situação em que estamos falando. Entender essa diversidade é o primeiro passo para nos tornarmos leitores e comunicadores mais competentes — e menos preconceituosos!

O que é Variação Linguística, afinal?

A Variação Linguística é o estudo dessas diferentes formas que a língua assume. Ela nos ensina que não existe um jeito “certo” ou “errado” de falar, mas sim a forma adequada para cada contexto.

É por isso que falamos de formas diferentes:

  1. Variação Regional: As diferenças que notamos de uma cidade para outra (pense no Gaúcho, no Mineiro e no Nordestino).
  2. Variação Social: As diferenças ligadas ao nível de escolaridade, à classe social ou ao grupo que frequentamos (como a linguagem formal da academia e a gíria do seu grupo de amigos).
  3. Variação de Registro: A adequação da nossa fala à situação (você não fala com o seu chefe como fala com a sua mãe).

Por que isso importa no seu estudo?

Nos principais exames e avaliações de Língua Portuguesa (como o Enem e o SAEB), é fundamental dominar o Descritor D13: a capacidade de identificar as marcas linguísticas que revelam quem está falando e em que situação.

É preciso analisar a linguagem para descobrir a origem do personagem (como o Chico Bento, no nosso simulado), a intenção de um texto ou o nível de formalidade de uma comunicação.

A partir de agora, você terá a chance de testar seus conhecimentos! Prepare-se para enfrentar desafios que exploram o português falado em diferentes cantos do Brasil e do mundo.


Continue rolando a página e encare nosso simulado especial sobre Variação Linguística!

D13 (Detalhado) Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.

Tipos de Variação Linguística

Regional: Diferenças na língua conforme a região geográfica (sotaques, expressões regionais).

Social: Variações relacionadas a grupos sociais, nível de escolaridade e classes socioeconômicas.

Etária: Diferenças na linguagem entre gerações (gírias juvenis, expressões de idosos).

Profissional: Vocabulário específico de determinadas profissões e áreas de atuação.

Abrange os quatro pilares mais importantes para o estudo do tema:

  • Regional (ou Geográfica): Sotaques, expressões regionais.
  • Social (ou Diastrática): Nível de escolaridade, classe social.
  • Etária: Diferenças entre gerações (gírias de jovens, expressões de idosos).
  • Profissional (ou Diafásica/Técnica): Jargões e vocabulário específico de profissões.

Simulado de Língua Portuguesa: Variação Linguística

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Instruções: Leia atentamente os textos (tiras e charges) e as questões. Marque apenas uma alternativa correta em cada item


Texto Base 1: Chico Bento (Chico Bento: “SEI COMO SEMEÁ A TERRA, ISCOIENDO AS MIÓ SEMENTE!” e “DI COMO SI REPRANTA AS MUDINHA DI VERDURA IM OTRO CANTERO!”)

1. A fala do personagem Chico Bento apresenta características de uma modalidade linguística específica. A variação linguística evidente na fala do menino é classificada como regional ou geográfica, pois as marcas linguísticas utilizadas:

a) Indicam a idade avançada do falante, típica da variação etária. 

b) Demonstram o domínio de um vocabulário técnico, característico da variação profissional. 

c) Revelam o local de origem rural do falante, por meio de desvios da norma-padrão e pronúncias típicas. 

d) Sugerem que o falante possui um alto grau de escolaridade, típica da variação social.

2. Considerando as duas personagens (a mulher e o menino) e o contexto da tira, a diferença na linguagem utilizada serve para:

a) Criar um contraste que realça a superioridade da personagem feminina no domínio da norma-padrão. 

b) Indicar que apenas o menino possui conhecimento prático sobre o plantio, já que sua fala é mais espontânea. 

c) Evidenciar a variação social e a variação regional, mostrando a diversidade da língua. 

d) Marcar um tipo de variação etária, pois apenas os mais jovens utilizam a forma simplificada do português.


Texto Base 2: A Seca e Marte (O homem e a mulher no sertão, com a fala do rádio e a mulher dizendo: “OXE, MANDA ESSA BICHINHA PRA CÁ!”)

3. O efeito de humor da charge é construído principalmente pela:

a) Crítica à falta de interesse da população em geral pelas descobertas científicas e espaciais. 

b) Oposição entre a linguagem formal e o tema científico versus a linguagem popular e o problema da seca. 

c) Demonstração de que a tecnologia não consegue resolver o problema da falta de água no sertão. 

d) Ironia sobre a facilidade com que a água pode ser encontrada em outros planetas, mas não na Terra.

4. A interjeição e o vocativo utilizados pela personagem na fala são marcas linguísticas que a identificam como locutora. Essas marcas, dentro do estudo da Variação Linguística, manifestam predominantemente a variação:

a) Social, pois a fala revela o baixo grau de escolaridade da personagem. 

b) Regional, pois o uso da interjeição e de determinados vocábulos está fortemente ligado a uma área geográfica do Brasil. 

c) Etária, pois a expressão é utilizada principalmente por pessoas de uma geração mais velha no sertão. 

d) Profissional, pois a fala indica que a personagem é agricultora, utilizando termos técnicos de sua área.


Texto Base 3: Entrevista de Emprego (O entrevistador e a candidata falando “E O PORTUGUÊS?” e “AÍ VARÊIA!!!”)

5. A situação de comunicação na charge (entrevista de emprego) exige o uso da norma-padrão da língua. O humor é construído na resposta final da candidata (“AÍ VARÊIA!!!”), que utiliza uma forma não-padrão. Essa construção revela:

a) Que o uso da língua é fixo e imutável, independentemente do contexto. 

b) O domínio da variação regional, indicando a origem geográfica da candidata. 

c) Um desvio da norma-padrão que, no contexto de uma entrevista, pode ser associado à variação social ou ao registro informal. 

d) Uma manifestação da variação etária, pois apenas pessoas mais jovens empregam essa forma verbal.

6. A charge satiriza a importância dada a línguas estrangeiras em relação ao domínio da Língua Portuguesa no contexto profissional. A pergunta do entrevistador e a subsequente reação ao erro da candidata podem refletir um fenômeno social conhecido como:

a) Variação Etária, pois há uma desvalorização da linguagem utilizada pela geração mais jovem. 

b) Regionalismo Linguístico, pois o foco está na diferença de sotaques. 

d) Multilinguismo, que é a celebração da diversidade de línguas faladas por um indivíduo.


Texto Base 4: Viagem Internacional

(Viagem Internacional aqui: os dois turistas em Paris falando “O GPS não vai resolver nosso problema de ‘localização’ linguística.”)

 7. Nesse contexto, a expressão “problema de ‘localização’ linguística” refere-se:

a) À dificuldade de o GPS traduzir o idioma português falado pelos turistas para o idioma local (francês). 

b) Ao desafio de encontrar lugares famosos em uma cidade desconhecida, mesmo com o uso de um tradutor eletrônico. 

c) À barreira comunicativa imposta pela variação linguística (idiomas diferentes), que impede a interação e a obtenção de informações no exterior. 

d) Ao preconceito linguístico que os turistas brasileiros podem sofrer ao tentar se comunicar em um país europeu.


Texto Base 5: O Gaúcho e o Mineiro

(O Gaúcho falando “NA MINHA TERRA SÓ TEM MACHO!” e o Mineiro respondendo “OIA, NA MINHA TERRA É METADE MACHO E METADE FÊMEA E NÓIS TÁ ACHANDO É BÃO DIMAIS!”)

8. A diferença linguística que mais contribui para a construção do humor e para a identificação da origem dos falantes está na:

a) Uso de vocabulário arcaico por ambos os personagens, indicando uma variação etária. 

b) Emprego da expressão “só tem macho” pelo Gaúcho, evidenciando seu grau de escolaridade. 

c) Pronúncia e estrutura frasal do Mineiro, que contrastam com o vocabulário típico e o sotaque implícito do Gaúcho. 

d) Inadequação da linguagem em um contexto formal, que reflete um problema de variação social.

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