Artigo de Opinião – Avaliação de Leitura e Análise Textual
Gênero Discursivo: Artigo de Opinião – Avaliação de Leitura e Análise Textual
Instruções: Leia os textos com atenção para responder às questões a seguir. As questões foram elaboradas com base em descritores de habilidades do SAEB e no modelo de questões do ENEM.
Gênero Discursivo: Artigo de Opinião
O artigo de opinião é um gênero textual que se enquadra na esfera jornalística. Sua principal característica é a apresentação de um ponto de vista sobre um tema relevante para a sociedade. O autor, nesse caso, assume uma voz ativa e pessoal, buscando convencer o leitor de sua tese.
Características
- Linguagem: Geralmente informal e direta, com o uso da primeira pessoa do singular (“eu acho”, “em minha maneira de pensar”).
- Temática: Aborda temas atuais e polêmicos, como questões sociais, políticas ou culturais.
- Argumentação: A tese do autor é sustentada por argumentos, exemplos e comparações.
Finalidade
A principal finalidade do artigo de opinião é persuadir o leitor. O autor busca influenciar a maneira de pensar de quem lê, provocando uma reflexão crítica sobre o tema abordado.
Estrutura
- Introdução: Apresenta o tema e a tese do autor.
- Desenvolvimento: É a parte mais longa, onde os argumentos são expostos.
- Conclusão: O autor reforça sua tese, faz uma síntese dos argumentos ou propõe uma reflexão final.
Textos para Análise
Texto I: “Racismo”
Ainda que grande parte da população brasileira seja descendente de negros, o problema do racismo está longe de ser resolvido.
No período colonial, Portugal trazia os negros da África para trabalharem no país em condição de escravos. Desde então, o racismo esteve incutido na mente de muitos brasileiros.
Embora a Lei Áurea tenha libertado os negros do trabalho escravo em 1888, a população negra apresenta os maiores problemas ainda hoje no país. Por exemplo, as condições de vida, o trabalho, a moradia, dentre outros.
Se observarmos as favelas do país ou mesmo as penitenciárias, o número de negros é sem dúvida maior. A grande questão é: até quando o racismo persistirá no nosso país?; pois mesmo séculos depois, ainda é possível nos depararmos com um racismo velado no Brasil.
A implementação de políticas públicas poderá resolver nosso problema, mas ainda temos muitos caminhos a percorrer. Infelizmente, creio que não estarei vivo para contemplar essa conquista.
Texto II: “CADA INDIVÍDUO É RESPONSÁVEL POR SUA CONDUTA”
Atribuir à sociedade como um todo a culpa por certos comportamentos errôneos não parece, em minha maneira de pensar, uma atitude sensata. Costumamos ouvir por aí coisas do tipo “O Brasil não tem mais jeito”, “O povo brasileiro é corrupto por natureza”, “Todas as pessoas são egoístas” e frases afins. Essa é uma visão já cristalizada no pensamento de boa parte de nosso povo.
Entretanto, se há equívocos, se existem erros, se modos ilícitos são verificados, eles sempre terão partido de um indivíduo. Mesmo que depois essas práticas se propaguem, somente serão contaminados por elas aqueles que assim o desejarem. Uma corporação que, por exemplo, está sob investigação criminal em decorrência da ação de alguns de seus componentes, não estará necessariamente corrompida em sua totalidade. Aliás, a meu juízo, isso é quase impossível de acontecer.
É preciso compreender que nem todo mundo se deixa influenciar por ações fraudulentas. De repente o que alguém acha interessante pode ser considerado totalmente inviável por outra pessoa e não acredito que seja justo um ser humano ser responsabilizado apenas por fazer parte de um grupo “contaminado”, mesmo sem ele, o cidadão, ter exercido qualquer coisa que comprometa a sua idoneidade moral.
Todos sabemos que um indivíduo é constituído suficientemente para pagar por suas falcatruas. Por isso, não concordo que haja julgamento geral. É preciso que saibamos separar o bom do ruim, o honesto do corrupto, o bom caráter do mau-caráter, o dissimulado do verdadeiro. Todos têm consciência do que seja certo ou errado e devem carregar sozinhos o fardo de terem sido desleais, incorretos e vulgares, sem manchar a imagem daqueles que, por vias do destino, constituem certas facções que não apresentam, totalitariamente, uma conduta legal. (Cassildo Souza)
Questões
- (D1 – Localizar informações explícitas) De acordo com o Texto I, qual evento histórico é mencionado como o marco da libertação dos negros do trabalho escravo no Brasil?
a) A proclamação da República.
b) A Lei Áurea.
c) O período colonial.
d) A abolição dos quilombos.
- (D6 – Identificar o tema) Qual é a tese principal defendida pelo autor no Texto II?
a) A sociedade brasileira, como um todo, é irremediavelmente corrupta.
b) A influência de um grupo determina o comportamento individual de seus membros.
c) A responsabilidade por atos ilícitos deve ser atribuída a indivíduos, e não à coletividade.
d) O julgamento generalizado é uma forma de combater a corrupção de grandes corporações.
- (D9 – Diferenciar fato de opinião) Assinale a alternativa que apresenta um trecho do Texto I em que o autor expressa uma opinião e não um fato comprovável.
a) “No período colonial, Portugal trazia os negros da África para trabalharem no país em condição de escravos.”
b) “Embora a Lei Áurea tenha libertado os negros do trabalho escravo em 1888…”
c) “A implementação de políticas públicas poderá resolver nosso problema…”
d) “Infelizmente, creio que não estarei vivo para contemplar essa conquista.”
- (D12 – Identificar a finalidade) Considerando a linguagem e a estrutura do Texto II, qual é a sua principal finalidade?
a) Expor os problemas da corrupção em grandes corporações.
b) Apresentar uma narrativa sobre um caso de julgamento coletivo.
c) Argumentar a favor da responsabilidade individual e contra a generalização de culpas.
d) Descrever o comportamento ético de um indivíduo dentro de um grupo.
- (D15 – Reconhecer relações lógico-discursivas) No trecho “Ainda que grande parte da população brasileira seja descendente de negros, o problema do racismo está longe de ser resolvido.” (Texto I), a expressão destacada estabelece uma relação de sentido de:
a) causa. b) condição. c) concessão. d) consequência.
- (D18 – Reconhecer efeito de sentido) No trecho “…é possível nos depararmos com um racismo velado no Brasil.” (Texto I), o termo destacado sugere que o racismo no país:
a) é pouco visível e se manifesta de forma sutil.
b) é combatido por leis que não permitem sua manifestação explícita.
c) ocorre somente em ambientes rurais e isolados.
d) é uma questão do passado, que já não existe mais na sociedade atual.
- (D9 – Diferenciar fato de opinião) Assinale a alternativa que apresenta um trecho do Texto II em que o autor se refere a um fato ou a uma situação hipotética que serve de base para sua argumentação.
a) “Atribuir à sociedade como um todo a culpa por certos comportamentos errôneos não parece, em minha maneira de pensar, uma atitude sensata.”
b) “O povo brasileiro é corrupto por natureza…”
c) “Uma corporação que, por exemplo, está sob investigação criminal em decorrência da ação de alguns de seus componentes…”
d) “não concordo que haja julgamento geral.”
- (D15 – Reconhecer relações lógico-discursivas) No trecho “Entretanto, se há equívocos, se existem erros… eles sempre terão partido de um indivíduo.” (Texto II), a palavra destacada estabelece uma relação de sentido de:
a) adição, pois soma uma nova ideia à anterior.
b) tempo, pois indica um momento da narrativa.
c) oposição, pois introduz uma ideia contrária à tese defendida no primeiro parágrafo.
d) conclusão, pois resume o que foi dito nos parágrafos anteriores.
- (D18 – Reconhecer efeito de sentido) No primeiro parágrafo do Texto II, o autor cita frases como “O Brasil não tem mais jeito” e “O povo brasileiro é corrupto por natureza”. O uso dessas frases tem a função de:
a) justificar a visão pessimista do autor sobre o país.
b) exemplificar o tipo de generalização contra a qual o autor irá argumentar.
c) demonstrar que a corrupção é um problema natural e inerente ao ser humano.
d) apresentar fatos incontestáveis sobre a realidade social brasileira.
- (D2 – Inferir informação) Com base no Texto II, é correto inferir que o autor acredita que um indivíduo em um grupo criminoso:
a) é automaticamente responsabilizado pelos crimes do grupo.
b) tem sua idoneidade moral comprometida mesmo sem ter agido de forma ilícita.
c) pode ser inocentado se comprovar que não participou das ações erradas.
d) não deve ser julgado, pois todos os membros do grupo são corruptos por natureza.
Gabarito Comentado
1. Resposta: b)
- Comentário: A resposta está explicitamente no terceiro parágrafo do Texto I, que afirma: “Embora a Lei Áurea tenha libertado os negros do trabalho escravo em 1888…“. A questão exige a localização de uma informação pontual e direta.
2. Resposta: c)
- Comentário: O Texto II defende que a culpa por comportamentos errôneos não deve ser atribuída à sociedade (“visão já cristalizada”), mas sim ao indivíduo que os comete. O autor usa a maior parte do texto para argumentar contra a generalização.
3. Resposta: d)
- Comentário: As alternativas a), b) e c) apresentam fatos históricos ou projeções que o autor usa para embasar sua argumentação. A alternativa d), no entanto, é uma opinião pessoal e subjetiva do autor (“creio que não estarei vivo…”) sobre o futuro.
4. Resposta: c)
- Comentário: O Texto II é um artigo de opinião. Sua estrutura demonstra que sua finalidade é convencer o leitor de que a responsabilidade deve ser individual, e não descrever fatos ou narrar eventos.
5. Resposta: c)
- Comentário: A expressão “Ainda que” é uma conjunção concessiva. Ela introduz uma ideia que, em tese, deveria anular ou impedir a ideia seguinte. No caso, mesmo que a população brasileira tenha forte descendência negra, esse fator não impede que o problema persista.
6. Resposta: a)
- Comentário: O termo “velado” significa “encoberto”, “dissimulado” ou “oculto”. No contexto do racismo, ele se refere a uma forma de discriminação que não é aberta ou declarada, mas se manifesta de forma sutil na sociedade.
7. Resposta: c)
- Comentário: O texto II, por ser um artigo de opinião, é majoritariamente composto por juízos de valor. A alternativa c apresenta um exemplo hipotético, que serve como uma base factual para a argumentação do autor, diferentemente das demais opções que são opiniões diretas ou generalizações que ele refuta.
8. Resposta: c)
- Comentário: A palavra “Entretanto” é uma conjunção adversativa, que introduz uma ideia de oposição ou contraste. O primeiro parágrafo apresenta a visão de senso comum, enquanto o segundo, introduzido por “Entretanto”, contrapõe essa visão com a tese do autor.
9. Resposta: b)
- Comentário: O autor inicia o Texto II citando frases generalistas e populares para, em seguida, discordar delas. Ele usa essas frases como exemplos do tipo de pensamento que ele critica para então construir sua argumentação contra a generalização.
10. Resposta: c)
- Comentário: O autor argumenta que “não acredito que seja justo um ser humano ser responsabilizado apenas por fazer parte de um grupo ‘contaminado'”. Daí, podemos inferir que um indivíduo que não agiu de forma ilícita, mesmo estando em um grupo corrupto, deve ser tratado de forma diferente e não ser responsabilizado.
