Sotaques, Gírias e Jeitos de Falar: Desvendando o D13 com o Chico Bento!
Você já parou para pensar que a língua portuguesa que falamos não é igual para todo mundo? Tem gente que fala “você”, outros “cê”, outros “tu”… Tem sotaques, gírias, e jeitos de falar que mudam de um lugar para outro, de uma idade para outra, de um grupo para outro. Essa é a Variação Linguística, e ela é linda!
Hoje, vamos ser detetives da leitura e descobrir uma habilidade super importante para o ENEM e para a vida: o Descritor D13. Ele nos ensina a encontrar as marcas linguísticas (pistas na fala ou na escrita) que nos revelam quem está falando (o locutor) e para quem está falando (o interlocutor). E para nos ajudar, ninguém melhor que o mestre da variação linguística: o nosso querido Chico Bento!
O que são “Marcas Linguísticas” (e como o D13 nos ajuda)?
Pense nas marcas linguísticas como as “impressões digitais” de uma pessoa na fala ou na escrita. Elas são detalhes na escolha das palavras, no jeito de construir as frases, na pronúncia (que o cartunista tenta mostrar na escrita) que nos dão informações sobre:
- O locutor: De onde ele é? Qual a idade dele? Qual o nível de escolaridade? Ele é do campo ou da cidade? Qual o seu grupo social?
- O interlocutor: Para quem ele está falando? Qual a relação entre eles? A forma de falar do locutor é adaptada ao interlocutor?
O D13 é o nosso guia para identificar essas pistas e entender melhor o contexto da comunicação!
Caso 1: Chico Bento e a Vida no Campo

Observe a tirinha acima. O Chico está conversando com a mãe.
- O que o Chico fala: “Sei como semeá a terra, iscoiendo as mió semente!” e “Di como si repranta as mudinha di verdura im otro cantero!”
- As Marcas Linguísticas que o D13 nos ajuda a ver:
- “Semeá” (em vez de semear)
- “Iscoiendo” (em vez de escolhendo)
- “Mió” (em vez de melhor)
- “Di” (em vez de de)
- “Im” (em vez de em)
- “Si repranta” (em vez de se replanta)
O que essas marcas nos revelam?
- Sobre o Locutor (Chico Bento): A forma de falar do Chico, com essas particularidades, é uma característica da Variação Regional (especificamente a fala caipira ou rural). Ela nos mostra que ele é um personagem do interior, que vive em contato com a natureza e com uma forma de falar típica da sua região.
- Sobre o Interlocutor (A Mãe): Apesar de a mãe falar de um jeito mais próximo do português padrão, ela entende perfeitamente o filho. Isso nos mostra que o interlocutor (a mãe) está familiarizado e aceita a variação linguística do locutor (Chico). A comunicação é eficaz, mesmo com as diferenças!
Caso 2: Chico Bento e o “Teste Vocacional”

Nesta outra tirinha, Chico Bento está com seu amigo Zé Lelé.
- O que o Chico fala: “Ara! Desse tal di teste vocacional! Ocê num teve qui vota?”
- O que o Zé Lelé fala: “É teste vocacional, Chico!! VOCACIONAL!!”
- As Marcas Linguísticas que o D13 destaca na fala do Chico:
- “Ara!” (interjeição típica)
- “Di” (em vez de de)
- “Ocê” (em vez de você)
- “Num teve qui vota?” (em vez de não teve que votar?)
O que essas marcas nos revelam?
- Sobre o Locutor (Chico Bento): Mais uma vez, confirmamos que a forma de falar do Chico é marcada pela variação regional (caipira). A confusão com “vocacional” (ele entende “votacional”) reforça a sua vivência em um mundo mais afastado da linguagem urbana e escolar.
- Sobre o Interlocutor (Zé Lelé): O Zé Lelé entende o Chico, mas tenta “corrigir” a palavra, usando a forma padrão (“VOCACIONAL!!”). Isso sugere que o Zé Lelé (ou talvez a situação, que é um “teste vocacional” escolar) tem um contato ou uma exigência maior com a norma-padrão da língua. Ele atua como um “corretor” informal.
A Grande Lição do D13 e da Variação Linguística
O D13 nos ensina que não existe “certo” ou “errado” absoluto na língua, mas sim adequação. A forma como falamos e escrevemos depende de:
- Quem somos: nossa origem, idade, grupo.
- Com quem falamos: nosso interlocutor.
- Onde estamos: o ambiente.
- Sobre o que falamos: o assunto.
Ser capaz de identificar essas marcas linguísticas é uma superpoder! Você passa a entender não só o que um texto diz, mas também o contexto social, cultural e geográfico de quem o produziu e para quem ele se destina. E isso, meu caro estudante, é essencial para qualquer prova e para a vida!
Desafio Final: Da próxima vez que você ler um texto, uma notícia ou até mesmo uma conversa de WhatsApp, tente identificar as marcas linguísticas. O que elas te contam sobre o locutor e o interlocutor? Conte pra gente nos comentários!
3. Questões de Múltipla Escolha para os Alunos
Atividade Prática: Marcas Linguísticas e Variação com D13
Instruções: Observe atentamente as tirinhas do Chico Bento e responda às questões de múltipla escolha. Lembre-se do Descritor D13: Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.
Tirinha 1
Questão 1
Na fala do Chico Bento, encontramos diversas marcas linguísticas como “semeá”, “mió” e “im”. Essas marcas evidenciam principalmente uma característica do locutor (Chico Bento). Qual é essa característica?
a) Que ele tem dificuldade em aprender novas palavras.
b) Que ele usa uma linguagem formal e culta.
c) Que ele é um falante da variação linguística regional (caipira/rural).
d) Que ele está zangado e por isso fala de forma diferente.
Questão 2
Considerando a comunicação entre Chico Bento e sua mãe na Tirinha 1, o fato de a mãe entender perfeitamente o que ele diz, mesmo com as variações linguísticas, demonstra que:
a) A mãe também fala do mesmo jeito que o Chico.
b) O interlocutor (a mãe) está adaptado à variação linguística do locutor (Chico), permitindo a comunicação eficaz.
c) A mãe precisa de aulas de português para entender o filho.
d) O Chico deveria se esforçar para falar de forma mais padrão com a mãe.
Tirinha 2
Questão 3
Na fala do Chico Bento na Tirinha 2, a expressão “Ocê num teve qui vota?” e a confusão com a palavra “vocacional” são marcas linguísticas. Elas reforçam a ideia de que o locutor (Chico Bento) pertence a um contexto:
a) Urbano e escolarizado, buscando gírias modernas. b) Formal e distante da linguagem popular. c) Informal e rural, com uma linguagem característica do seu ambiente. d) Estrangeiro, sem domínio da língua portuguesa.
Questão 4
Quando o Zé Lelé corrige o Chico Bento, dizendo “É teste vocacional, Chico!! VOCACIONAL!!”, a atitude do interlocutor (Zé Lelé) em relação à fala do locutor (Chico) demonstra:
a) Falta de paciência e irritação com a forma de falar do amigo.
b) Que ele está ensinando o Chico a falar errado propositalmente.
c) Que, embora haja compreensão, o Zé Lelé tenta aproximar a fala do Chico da norma-padrão da língua.
d) Que o Zé Lelé é mais inteligente que o Chico Bento.
Gabarito e Justificativas
- Questão 1: Resposta Correta: c)
- Justificativa: As palavras “semeá”, “mió”, “im” e “di” são características fonéticas e morfológicas típicas da variação regional caipira. Elas são as “marcas linguísticas” que identificam o Chico como um locutor dessa variação.
- Questão 2: Resposta Correta: b)
- Justificativa: A variação linguística não impede a comunicação, especialmente quando os interlocutores estão acostumados ao mesmo contexto linguístico. A mãe de Chico, sendo do mesmo ambiente, compreende a fala dele sem dificuldades.
- Questão 3: Resposta Correta: c)
- Justificativa: “Ocê” (você), “num” (não), e a troca de sons como “vota” por “voca” são marcas claras da variação informal e rural da língua portuguesa, típica do personagem.
- Questão 4: Resposta Correta: c)
- Justificativa: A correção de Zé Lelé mostra que ele reconhece a palavra na norma-padrão (“vocacional”) e, mesmo entendendo o Chico, tenta fazer com que a fala se aproxime mais do que seria esperado em um contexto escolar ou formal, agindo como um “mediador” linguístico.
